Monthly Archives: Abril 2010

>Manutenção dos grandes investimentos

>
Tenho-me perguntado amiudadas vezes o porquê dos nossos governantes teimosamente quererem manter grandes investimentos em áreas ligadas à construção civil.

Dizem-nos que isso resolverá a crise do desemprego, que irá fomentar novos serviços e empresas, etc., etc. Sinceramente tudo isso poderá acontecer mas com gastos astronómicos actualmente incomportáveis para o País, obrigando-o a contrair empréstimos vultuosos num momento em que o dinheiro obtido nestas condições está “caríssimo”, devido aos juros crescentes que se adivinham.

Por outro lado o emprego que irá gerar cairá no pessoal emigrante, em especial, dos Países do Leste, do Brasil e de Países Lusófonos visto os portugueses preferirem estar no desemprego a irem trabalhar para as obras… http://domirante.blogspot.com/2010/04/estado-incentiva-o-ocio.html

Afinal também Cavaco Silva, igualmente preocupado, hoje disse que “faz sentido reponderar” investimentos com pouca produção e mão-de-obra nacional http://www.publico.pt/Economia/presidente-diz-que-faz-sentido-reponderar-investimentos-com-pouca-producao-e-maodeobra-nacional_1434871

As empresas que irão beneficiar destes investimentos têm nos seus quadros ex-ministros e “boys” dos partidos que passaram pelos diversos governos até agora e, como tal, dada a promiscuidade, leia-se corrupção, existente na política e na alta finança, tudo leva crer que existem promessas para as concretizar que dificilmente poderão ser sustidas. Há sempre o perigo de aparecerem nos órgãos de comunicação social sinais do que aqui se aponta, isto apesar do ataque a que têm sido sujeitos no sentido de os controlar…
http://domirante.blogspot.com/2009/04/liberdade-de-expressao-em-perigo.html


Será esta a verdadeira razão para esta “teimosia” absurda? Tudo leva crer que sim! Até porque os estudos sérios, executados por técnicos competentes, que têm aparecido têm demonstrado que esses mesmos investimentos ou não são oportunos ou em nada irão servir o País.

Estou-me a lembrar nos aeroportos que queriam construir na Ota, Montijo e agora em Alcochete, na terceira ponte sobre o Tejo, na área de Lisboa, nas auto-estradas que varrem o País de lés-a-lés, algumas delas até com pouco trânsito, no megalómano TGV que, a ser construído será mais um “elefante branco”, no desmantelamento de linhas férreas de penetração existentes que poderiam também ser utilizadas para o turismo, para além de se diminuir o tráfego nas rodovias, etc., etc.

Acresce que os tais ex-ministros e os “boys”, atrás referidos, quando chamados a justificar as suas decisões têm revelado pouca competência, cultura e um atrevimento só possível devido à sua ignorância nestes assuntos.

Serei miserabilista nestes meus pensamentos ou haverá altos interesses por trás disto tudo? Gostava de pensar que estou enganado mas, infelizmente, o tempo me dará razão… Meia dúzia a “encherem-se” e Portugal a ficar irremediavelmente mais pobre!
Obras Públicas sem controlo ???

Até quando permitiremos que este estado de coisas se mantenha? Temo que já seja tarde demais…

Anúncios

>Florbela Espanca

>

Homenagem à Amiga Jacke e ao seu belo blogue “Sentimentos”

>ESCOLA – PARTICIPAÇÃO DISCIPLINAR MUITO GRAVE:

>
PARTICIPAÇÃO DISCIPLINAR MUITO GRAVE:
Professora agredida: Leonídia Marinho
Grupo Disciplinar: 10º B – Filosofia
Agressor: *********

Contextualização:

Dia vinte e seis de Março de 2010. Último dia de aulas. Às 14 horas dirigi-me à sala 15 no Pavilhão A para dar a aula de Área de Integração à turma 10º DG do Curso Profissional de Design Gráfico.
Propus aos alunos a ida à exposição no Polivalente e à Feira do Livro, actividades a decorrer no âmbito dos dias da ESE. A grande maioria dos elementos da turma concordou, com excepção de três ou quatro elementos que queriam permanecer dentro da sala de aula sozinhos. Deixar que os alunos fiquem sozinhos na sala de aula sem a presença do professor é algo que não está previsto no Regulamento Interno da Escola pelo que, perante a resistência dos alunos que não manifestavam qualquer interesse nas actividades supracitadas decidi que ficaríamos todos na sala com a seguinte tarefa: cada aluno deveria produzir um texto subordinado ao tema “A socialização” o qual me deveria ser entregue no final da aula. Será preciso dizer qual a reacção dos alunos? Apenas poderei afirmar que os alunos desta turma resistem sempre pela negativa a qualquer trabalho porque a escola é, na sua perspectiva, um espaço de divertimento mais do que um espaço de trabalho.
Digamos que é uma Escola a fingir onde TUDO É PERMITIDO!

É muito fácil não ter problemas com os alunos. Basta concordar com eles e obedecer aos seus caprichos. Esta não é, para mim, uma solução apaziguadora do meu estado de espírito. Antes pelo contrário. A seriedade é uma bússola que sempre me orientou mas tenho que confessar, não raras vezes, sinto imensas dificuldades em estimular o apetite pelo saber a alunos que têm por este um desprezo absoluto. As generalizações são abusivas. Neste caso, não se trata de uma generalização abusiva mas de uma verdade inquestionável. Permitam-me um desabafo: os Cursos Profissionais são o maior embuste da actual Política Educativa. Acabar com estes cursos? Não me parece a solução. Alterem-se as regras.

Factos ocorridos na sala de aula:

Primeiro Facto: Dei início à aula não sem antes solicitar aos alunos que se acomodassem nos seus lugares. Todos o fizeram exceptuando o aluno ***********, que fez questão de se sentar em cima da mesa com a intenção manifesta de boicotar a aula e de desafiar a autoridade da professora. Dei ordem ao aluno para que se sentasse devidamente e este fez questão de que eu o olhasse com atenção para verificar que ele, ***********, já estava efectivamente sentado e ainda que eu não concordasse com a sua forma peculiar de se sentar no contexto de sala de aula, seria assim que ele continuaria: sentado em cima da mesa. Por três vezes insisti para que o aluno se acomodasse correctamente e por três vezes o aluno resistiu a esta ordem.
Reacção da maioria dos elementos da turma: Risada geral. Reacção do aluno *********: Olhar de agradecimento dirigido aos colegas porque afinal a sua “ousadia” foi reconhecida e aplaudida. Reacção da professora: sensação de impotência e quebra súbita da auto-estima. Senti este primeiro momento de desautorização como uma forma que o aluno, instalado na sua arrogância, encontrou de me tentar humilhar para não se sentir humilhado. Como diria Gandhi, “O que mais me impressiona nos fracos, é que eles precisam de humilhar os outros, para se sentirem fortes…”
Saliento que neste primeiro momento da aula a humilhação não me atingiu a alma embora essa fosse manifestamente a intenção do aluno.

Segundo Facto: Dei ordem de expulsão da sala de aula ao aluno **********, com falta disciplinar. O aluno recusou sair da sala e manteve-se sentado em cima da mesa com uma postura de “herói” que nenhum professor tem o direito de derrubar sob pena de ter que assumir as consequências físicas que a imposição da sua autoridade poderá acarretar. Nem sempre um professor age ou reage da forma mais correcta quando é confrontado com situações de indisciplina na sala de aula. Deveria eu saber fazê-lo? Talvez! Afinal, a normalização da indisciplina é um facto que ninguém poderá negar. Deveria ter chamado o Director da Escola para expulsar o aluno da sala de aula? Talvez…mas não o fiz. Tenho a certeza de que se tivesse sido essa a minha opção a minha fragilidade ficaria mais exposta e doravante a minha autoridade ficaria arruinada.
Dirigi-me ao aluno e conduzi-o eu própria, pelo braço, até à porta para que abandonasse a sala. O aluno afastou-me com violência e fez questão de se despedir de uma forma tremendamente singular: colocou os seus dedos na boca e em jeito de despedida absolutamente desprezível, atirou-me um beijo que fez questão de me acertar na face com a palma da mão.
Dito de uma forma muito simples e SEM VERGONHA: Fui vítima de agressão. Pela primeira vez em aproximadamente vinte anos de serviço. Intensidade Física da agressão: Média (sem marcas). Intensidade Psicológica e Moral da agressão: Muito Forte.
Reacção dos alunos: Riso Nervoso. Reacção do aluno **********: Ódio visível no olhar. Reacção da professora: Humilhação. Ainda que eu saiba que a humilhação é fruto da arrogância e que os arrogantes nada mais são do que pessoas com complexos de inferioridade que usam a humilhação para não serem humilhados, o que eu senti no momento da agressão foi uma espécie de visita tão incómoda quanto desesperante. Acreditem: a visita da humilhação não é nada agradável e só quem já a sentiu na alma pode compreender a minha linguagem.

Terceiro Facto: O aluno preparava-se para fugir da sala depois de me ter agredido e, conforme o Regulamento Interno determina, todos os alunos que são expulsos da sala de aula terão que ser conduzidos até ao GAAF, Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família. Para o efeito, chamei, sem êxito, a funcionária do Pavilhão A, que não me conseguiu ouvir por se encontrar no rés-do-chão. Enquanto tal, não larguei o aluno para que ele não fugisse da escola (embora lhe fosse difícil fazê-lo porque os portões da escola estão fechados). Mais uma vez, o aluno agrediu-me, desta vez, com maior violência, sacudindo-me os braços para se libertar e depois de conseguir o seu objectivo, começou a imitar os movimentos típicos de um pugilista para me intimidar. Esta situação ocorreu já fora da sala de aula, no corredor do último piso do Pavilhão A. Reacção dos alunos (que entretanto saíram da sala para assistir à cena lamentável de humilhação de uma professora no exercício das suas funções): Risada geral. Reacção do aluno ********: Entregou-se à funcionária que entretanto se apercebeu da ocorrência.
Reacção da Professora: Revolta e Dor contidas que só o olhar de um aluno mais atento ou mais sensível conseguiria descodificar. Porque, acreditem: dei a aula no tempo que me restou com uma máscara de coragem que só caiu quando a aula terminou e sem que nenhum aluno se apercebesse. Entretanto, a funcionária bateu à porta para me informar que o aluno queria entrar na aula para me pedir desculpa pelo seu comportamento “exemplar”.
Diz-se que um pedido de desculpas engrandece as partes: quem o pede e quem o aceita. Não aceitei este pedido por considerar que, fazendo-o, estaria a pactuar com um sistema em que os professores são constantemente diabolizados, desprestigiados e ameaçados na sua integridade física e moral. Em última análise, a liberdade não se aliena. O aluno escolheu o seu comportamento. O aluno deverá assumir as consequências do comportamento que escolheu e deverá responder por ele. É preciso
PUNIR quem deve ser punido. E punir em conformidade com a gravidade de cada situação. A situação relatada é muito grave e deverá ser punida severamente. Sou suspeita por estar a propor uma pena severa? Não! Estou simplesmente a pedir que se faça justiça.

Vamos ser sérios. Vamos ser solidários. Vamos lutar por uma Escola Decente.

PS: Este caso já foi participado na Polícia e seguirá para Tribunal.

Ermesinde, 30 de Março de 2010

A Professora _________________________

Nota:
O texto é muito longo mas temi truncá-lo pois podia perder-se todo o contexto da agressão e da razão que assiste à Professora. Temos todos que acabar de vez com estas palhaçadas… A Disciplina e a Ordem têm que entrar nas Escolas!

E-mail enviado pelo Amigo Alberto Ribeiro Soares