A Nossa Grande Casa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Nossa Grande Casa

Um Poema Sobre a TerraVivemos todos aqui.

Pessoas, formigas, elefantes, árvores,

Lagartos, líquenes, tartarugas, abelhas.

Todos partilhamos a mesma grande casa.

Partilhamos a água.

Salpicamos, chapinhamos e nadamos na água.

E todos bebemos água.

Baleias, golfinhos, manatins,

Pinguins, palmeiras, tu e eu.

Todos partilhamos a água na Terra,

A nossa grande casa azul.

A chuva desliza pelo meu nariz

E escorre pelos dedos do meu pé.

A chuva limpa o mundo todo.

Rega florestas de árvores gigantes

Desperta a vida em sementes minúsculas.

Traz água fresca a ti e a mim.

Todos partilhamos a chuva na Terra,

A nossa casa verde a crescer.

À volta do mundo

O sol a todos aquece.

Girassóis, andorinhas, macieiras,

Raposas, fetos, tu e eu.

Aquece dedos e pés,

Aquece raízes e folhas.

Todos partilhamos o sol na Terra,

A nossa casa grande e quentinha.

Há monturo por todo o lado,

Na Terra, no nosso solo.

Solo onde as sementes aguardam

E as árvores nascem,

Onde as minhocas vivem e os coelhos escavam.

A Terra contém a vida

E o monturo que piso com prazer.

Todos partilhamos o solo na Terra,

A nossa grande casa viva.

E há ar por todo o lado,

Bem longe e bem perto.

Todos respiramos o ar da Terra.

Não é bom respirar?

Pessoas, lagartos, joaninhas,

Carvalhos, ervilhas, ervas daninhas.

Todos partilhamos o ar na Terra,

A nossa grande casa arejada.

O vento sibila e volteia,

Varre e rodopia.

Remexe a erva e abana as árvores.

Transporta chuva, espalha sementes.

Traz ar fresco e revolve cabelos de crianças.

Por todo o mundo.

O vento a todos toca na Terra,

A nossa grande casa rodopiante.

O céu é uma imagem nossa que muda lá em cima.

Gosto do céu. E tu?

Grandes extensões de azul,

Pinceladas de nuvens,

Borrões selvagens ao entardecer.

Onde quer que estejamos

Olhamos e vemos

Céu, céu, céu.

Aqui na Terra, a nossa grande casa

Debaixo do céu.

À noite, quando as estrelas brilham,

Na escuridão funda e profunda,

É o tempo de cair no sono,

Dos animais vaguearem

E das flores nocturnas desabrocharem.

Todos temos um tempo de escuridão

Aqui na Terra, a nossa casa

Debaixo do grande manto da noite.

E a nossa lua viaja pelo céu

Cor de pérola cremosa

Uma vela branca fininha.

Lua cheia, lua nova,

Dão corpo à nossa noite.

Todos partilhamos a lua

Aqui, ali, por todo o lado na Terra,

A nossa grande casa luminosa.

Quando me estico ou danço,

Salto ou rio,

Pulo no ar ou na relva me estendo,

Sinto-me vivo.

Todos sentimos a vida.

Árvores, rãs, abelhas, relva,

Aranhas, serpentes, minhocas, morcegos.

Todos partilhamos a vida na Terra,

A nossa casa grande evivificante.

Partilhamos o ar, a água, o solo e céu,

O sol, a chuva e a vida.

E todos partilhamos o mesmo lar, aqui na Terra,

A nossa preciosa morada.

 

Linda Glaser; Elisa KlevenOur Big Home – An Earth PoemMinneapolis, Millbrook Press, 2000(Tradução e adaptação)

Crenças Alentejanas

A Lenda da Costureirinha

Entre as crenças que algum dia existiram no Baixo Alentejo, a da costureirinha era uma das mais conhecidas. Não é difícil, ainda hoje, encontrar pessoas de alguma idade, e não tanta como isso… que ouviram a costureirinha.
O que se ouvia, então? Segundo diversos testemunhos, ouvia-se distintamente o som de uma máquina de costura, das antigas, de pedal, assim como o cortar de uma linha e até mesmo, segundo alguns relatos, o som de uma tesoura a ser pousada. Um trabalho de costura, portanto.
O som trepidante da máquina podia provir de qualquer parte da casa: cozinha, quarto de dormir, a casa de fora, e até mesmo de alpendres. De tal modo era familiar a sua presença nos lares alentejanos que não infundia medo. Era a costureirinha.
Mas quem era ela? Afirma a tradição que se tratava de uma costureira que, em vida, costumava trabalhar ao domingo, não respeitando, portanto, o dia sagrado. É esta a versão mais conhecida no Alentejo. Outra versão afirma que a costureirinha não cumprira uma promessa feita a S. Francisco. Esta última versão aparece referenciada num exemplar do Diário de Notícias do ano 1914 em notícia oriunda de aldeias do Ribatejo. Pelo não cumprimento dos seus deveres religiosos, a costureirinha fora condenada, após a morte, a errar pelo mundo dos vivos durante algum tempo, para se redimir.
No fundo, a costureirinha é uma alma penada que expia os seus pecados, de acordo com a crença que os pecados do mundo, o desrespeito pelas coisas sagradas e, nomeadamente, o não cumprimento de promessas feitas a Deus ou aos Santos podiam levar à errância, depois da morte.
Já não se houve, agora, a costureirinha? Terminou já o seu fado, expiou o castigo e descansa em paz? A urbanização moderna, a luz eléctrica, os serões da TV, afastaram-na do nosso convívio. Desapareceu, naturalmente, com a transformação de uma sociedade rural arcaica, que tinha os seus medo, os seus mitos, as suas crenças e o seu modo de ser e de estar na vida.

http://orgulhoseralentejano.paginas.sapo.pt/

 

Parabéns querido amigo Luís



Ser amigo é muito mais
Que um simples conselho,
É muito mais que saírem juntos.
Ser amigo,
É muito mais que um presente,
Muito mais que um favor.
A amizade é muito mais que uma conversa.
Ser amigo é ter uma lágrima nos olhos
E ao encontro de um sorriso, fazê-la secar.
Ser amigo,
É sentir-se feliz um pelo outro.
Ser amigo
É compartilhar as alegrias,
E até mesmo ser fiel na presença de momentos mais difícieis.
A amizade é mais que uma palavra
É como uma pessoa que necessita de sinceridade para sobreviver.
Ser amigo e ter amigos
São as armas para combater qualquer guerra da solidão.
Há amigo que vale por muitos ditos “amigos”.
A amizade é o sentimento que mais sobrevive
Nas inconsequências dos nossos actos.
Ser amigo é tudo que eu gostaria de ser,
Ter amigo é tudo que eu necessito…
Pois necessito muito ser e ter
Você Amigo!!!

Fabiana Thais Oliveira

 

Pequenina lembrança da sua amiga Ná